sábado, 30 de janeiro de 2010
STOP
(por Mafalda Nobre e Joana Sobral)
Voltando à ideia de que "O Stop é fechado sobre si mesmo", e reflectida esta questão no contexto actual, depois dos últimos acontecimentos e divergências no "bairro" e com a câmara, pensamos que o Stop acaba por ser fechado sobre si mesmo ou visto como tal, precisamente em termos de comunidade.
O que acontece, parece-nos, é que não é visto do lado de fora como algo "normal", ou parte do quotidiano de uma cidade, como órgão importante que produz música, cultura. A visão que muitas pessoas acabam por ter do espaço e do que se faz lá dentro é a de alguma coisa clandestina e fora do normal que se passa num espaço por si só já residente na fronteira entre o passado e o futuro.
Esta interpretação é sintomática de uma visão algo discriminatória, mas pode dever-se um pouco à ideia que habitualmente temos de espaços como o Stop, um centro comercial meio ocupado, meio desocupado. Alguns espaços do género, como o Centro Comercial de Cedofeita, ou o Centro Comercial do Campo Alegre sofrem do mesmo mal, por estarem algo cheios e algo vazios, e por se situarem em zonas da cidade muito específicas, vistas de maneira diferente pelos seus residentes e pelos seus visitantes.
Tendo ainda em conta os últimos acontecimentos, muitos pensam que se produz “ruído” no Stop. Pensamos que, de certo modo, a difusão de música identificada como produzida no Stop ajudaria a desmistificar estas interpretações. Apesar de muitas das bandas não se identificarem com a ideia de “Comunidade”, e por isso não se integrarem nas acções promovidas, seria importante insistir na sua integração. Acreditamos que, de certa maneira, a etiquetagem da música como produzida dentro do Stop (e o Stop identificado como uma comunidade de músicos) ajudaria a desmistificar e clarificar muita coisa.
O facto, no entanto, desta difusão viver da Internet ajuda a manter a intenção de não mostrar tudo o que está por dentro da montra, e a manter a analogia entre o espaço e o que lá se faz. É importante por um lado mostrar o Stop e, por outro, não o mostrar demasiado. Este é o tipo de lugar que não se parece prestar a uma divulgação tradicional. Assim, utilizar a Internet como plataforma privilegiada de divulgação faz todo o sentido. A Internet é o espaço democrático e livre por excelência.
“For McNair the fact that anyone, or at least anyone with access to the right technologies, can blog means the end of what he describes as the ‘control paradigm’, in which the media help sustain the social order through the dissemination of dominant ideas and values and at the same time serve the interest of those in control.”[1]
Se a realidade Stop é tão radicalmente diferente das realidades que habitualmente associamos à indústria da música (o Stop é facilmente tido como um espaço underground), então o lugar da sua existência real enquanto comunidade – mais até do que o espaço físico – poderá ser a metáfora de uma sociedade anárquica e utópica que é a Web, e particularmente a Web 2.0.
Para além disto, sabemos que o binómio música / Internet é um tanto delicado. Falamos não tanto de questões como o sampling mas essencialmente da tecnologia peer-to-peer. Se é impossível evitar a circulação gratuita de música pela Internet, não seria desejável incorporar já nesta filosofia “Stop na Net” a aceitação e convivência com esta realidade? Se já não se vendem discos e as receitas dos músicos começam a ser geradas mais através dos concertos, porque não permitir aos utilizadores do PostStop não apenas ouvir música on-line como também fazer download?
“Let’s build a world that we’re actually going to be proud of. Not just a profitable world for a few very large media companies.”[2]
Propõe-se concretamente uma rádio do Stop on line, um pouco à semelhança da Last-fm, com uma listagem das músicas, organizadas segundo tags e com a possibilidade de as bandas, uma vez “loggadas” no site, fazerem upload de músicas directamente para a rádio. Propõe-se igualmente a possibilidade de o utilizador seleccionar a música que está a ouvir e aceder aí a informação extra bem como ao link para fazer o download.
Misturar as músicas, não as fazer corresponder a álbuns ou a salas responderia não apenas à necessidade de dar a conhecer a música e as bandas como parte do Stop como também à necessidade de manter um certo anonimato do espaço.
A própria imagem da Last-fm (e de outras redes sociais) poderia ser apropriada e transportada para o PostStop, quase como um meio de legitimação forçada ou de falsa institucionalização do Stop.
Uma vantagem clara em relação à difusão na Internet versus difusão na rádio tem a ver com a disponibilidade diária de emissões: os ouvintes não ficam de maneira nenhuma dependentes de um horário de programação.
Por outro lado, sabemos que a Internet é um poderoso meio de difusão além fronteiras. O que está na Internet está acessível a todos, se a difusão for feita apostando nisso. A audiência de uma plataforma on line é muito superior, neste momento ao de uma audiência de rádio. As rádios já não são escutadas como antigamente, são mais escutadas nos auto-rádios ou através da Internet.
Será proveitoso para os músicos do Stop essa grande difusão? Depende dos objectivos de cada banda. É possível dispensar informação e conteúdos na Internet camuflados e acessíveis apenas a grupos restritos de pessoas, existe essa escolha. O que seria neste caso importante apurar é a necessidade de difusão musical por parte das bandas. Se já dispensam a sua música em sites como o Myspace Music provavelmente não se importariam de ceder essa música a PostStop. Mas a questão não se centra apenas na possibilidade de difundir ou não difundir na Internet.
Todas estas questões de comunidade Stop podem também ser vistas de outra forma, porque se podem criar, como já se sugeriu acima, duas comunidades: uma física, dos que habitam o espaço e apostam na união para a resolução de problemas e se identificam como membros do grande grupo de músicos que lá vivem; e uma outra comunidade, esta virtual. Este tipo de comunidade on line já existe em muitos formatos um pouco por todo o mundo, e são comuns blogs pessoais de interessados em estilos musicais que publicam música, comentam e a divulgam ao mundo através de ficheiros mp3 alojados em posts.
A comunidade virtual que pensamos que nasceria do facto de se dispensar música on line através do Post Stop seria assim formada pelas bandas que dispensariam a sua música na Internet, mas fundamentalmente pelo público/auditório que iria frequentar o PostStop para ouvir a música que ele teria para oferecer. Porque as comunidades são feitas de diálogo e interacção, e porque a comunidade Stop gira à volta de música e músicos, o espaço na web seria mais um veículo de fortalecimento.
A comunidade Stop cresceria numa dimensão global, seria músicos, música, auditório, comentadores, fãs, colaboradores do PostStop, etc.
A grande questão tem a ver precisamente com a etiquetagem made in stop.
Neste momento e dada a confusão gerada entre habitantes Stop, bairro e câmara Municipal, acreditamos que as bandas têm todas as vantagens em afirmarem-se como parte do Stop. Resta-lhes avaliar individualmente as vantagens (e eventuais desvantagens) de uma difusão musical etiquetada made in stop, que tem de ser pensada caso a caso, medindo prós e contras.
Em termos gerais pensamos que esta etiquetagem e difusão fariam com que se percebesse que o interesse maior daquele espaço (físico e virtual), é música, só música.
[1] GERE, Charlie, Digital Culture. 2ª edição, Reaktion Books, London, 2008. p. 211.
[2] KAHLE, Brewster. In Steal This Film II, 2007., [acesso em 2010, Janeiro 29], disponível em http://www.stealthisfilm.com/Part2/download.php.
Bibliografia
GERE, Charlie, Digital Culture. 2ª edição, Reaktion Books, London, 2008.
SHAVIRO, Steven, Connected, or it means to live in a network society, Minnesota University Press, 2003
LESSIG, Lawrance, Free culture- how big media uses technology and the law to lock down culture, Penguin Press, New York, 2004
First Monday, Peer Reviewed Journal on the Internet, Bayn, Nancy K., The new shape of online community. The example of Swedish independent music fandom., [acesso em 2010, Janeiro 26], disponível em www.firstmonday.com.
Steal This Film II, 2007., [acesso em 2010, Janeiro 29], disponível em http://www.stealthisfilm.com/Part2/download.php.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Nomadic #1
* Problema
* Esquisso + Modelos (algum método conhecido para ataque?)
* Algoritmo
http://en.wikipedia.org/wiki/
(há problemas que não podem ser resolvidos
por nenhum algoritmo; esperando que o que se tem de resolver
o possa, segue-se o seguinte)
* Linguagem (escolha?)
diferentes paradigmas e diferentes linguagens
http://en.wikipedia.org/wiki/
* Programação (escrever tudo ou recorrer a algumas "bibliotecas")
http://en.wikipedia.org/wiki/
tradução do algoritmo na linguagem,
por vezes requer detalhe de alguns passos que podiam estar
vagos)
* Compilação (dependendo do tipo de linguagem...)
Passagem do programa escrito por um outro programa
(ou sequência de programas) que o analisa, detecta
possíveis erros sintáticos (instruções que não
estão de acordo com a gramática da linguagem) e
alguns semânticos,
e, se tudo correr bem, o traduz numa linguagem
que pode ser executada pelo processador (ou
por uma máquina virtual, dependendo da linguagem
de partida) eventualmente
com alguma optimização do código
http://en.wikipedia.org/wiki/
(Nesta fase, quem escreveu o programa pode ter necessidade
de corrigir os erros
reportados e voltar a tentar compilar....)
* Execução
http://en.wikipedia.org/wiki/
Pode ou não requer introdução de dados
Pode levar a detectar outros erros
-- resultados inesperados, resultantes dalgum
erro lógico na implementação ou no algoritmo...)
-- não produção de qualquer resultado
* Pode ser necessário "apurar" o programa
-- melhorar aqui ou ali
-- melhorar partes significativas para tentar assegurar
escalabilidade (quando aumenta dimensão dos dados
o programa pode não conseguir determinar resposta
em tempo útil)
-- tempo (e espaço) gasto: complexidade do
método (ou do problema que se quer resolver)
http://en.wikipedia.org/wiki/
Realizar uma série de testes para tentar detectar erros
(em programas suficientemente pequenos, pode-se
tentar demonstrar formalmente a correcção do programa
mas, em geral, não é possível).
Dependendo do tipo de problema/projecto, o desenvolvimento do programa pode
envolver várias componentes (bem como integrar várias ferramentas e tecnologias).
http://en.wikipedia.org/wiki/
http://en.wikipedia.org/wiki/
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Exercício de 21 Jan no INESC Porto
ESPAÇOS QUE DESPERTARAM INTERESSE
. Sala na cave do edifício repleta de monos cadeiras estragadas e/ou abandonadas, caixas vazias, objectos fora de uso e uma secretária aparentemente sem destino.
. Quartos de banho, por serem espaços opostos directamente aos espaços de trabalho e circulação.
. Sala de robótica, pelo caos que se vê e sente lá dentro.
. Espaço envolvente ao edifício e outros edifícios. Pensámos num aproveitamento dos terraços de cada edifício do Campus da FEUP.
. “Bosque” entre o INESC Porto e a Escola Superior de Educação (pensamos ser essa escola, mas temos quase a certeza que esse espaço lhes pertence).
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ESPAÇO QUE ESCOLHEMOS E INTERVENÇÕES POSSÍVEIS
BOSQUE
Necessidades imediatas
Escolhemos este bosque por significar um espaço alternativo e muito diferente do espaço físico de trabalho do INESC Porto. A ideia seria pedir emprestado esse espaço a quem o regula, e fazer dele uma alternativa à rotina, ao espaço fechado e à tecnologia informática que domina o edifício de trabalho.
A par de conversas que vimos acontecer no bar, também se registam várias idas à porta do prédio para fumar.
Pretendemos dar nova vida ao espaço e promover encontros entre os trabalhadores do INESC Porto que não se resumam a conversas sobre trabalho no bar do edifício, e que façam com que as pessoas saiam mais do prédio para espairecer, ver a natureza e conviver de forma diferentes das actuais.
A revitalização do espaço é evidentemente necessária.
Não sabemos se o espaço pertence mesmo à FEUP, mas pode observar-se um caminho pintado de amarelo que vai desde a frente do campus da Faculdade de Engenharia, atravessa o bosque, passado pelas várias zonas que o constituem, e passa pela lateral do edifício do INESC Porto, seguindo pelas traseiras deste. Não conseguimos determinar a utilidade deste caminho amarelo a fazer lembrar o Feiticeiro de Oz, mas pensamos que se pode relacionar com algum circuito de manutenção física, que entretanto também sonhámos para o espaço.
Para o aproveitamento do espaço da melhor maneira, são necessárias intervenções não só na mobilização das pessoas, mas no espaço em si, melhorando e aproveitando as suas capacidades evidentes de utilização como um espaço alternativo à rotina.
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Concretizações possíveis
-Revitalizar a relva e cuidá-la mais frequentemente;
-Promover e iniciar a cultura de flores, que em muitos casos servem de inspiração para os criativos que são os cientistas do espaço.
-Repor mesas de piquenique em pedra, que existem mas precisam de ser renovadas. Estas podem ser usadas com espaço de almoço alternativo, descanso e descontracção
-Rentabilizar os campos de jogos e promover actividades que envolvam os diversos departamentos.
-Existe um teatro de arena em cimento que pode ser rentabilizado e usado para demonstrações (da robótica, por exemplo).
-Desenvolver e colocar um quiosque que comercialize revistas e edições relacionadas com a área científica, que possa facultar um acesso simples a estas edições, sem uma deslocação fora do campus.
-Aproveitar os campos de jogos para desenvolver actividades desportivas e de competição entre equipas dos diversos departamentos do INESC Porto, promovendo um convívio alternativo entre os trabalhadores.
-Desenvolver obras de arte/esculturas no espaço por intervalos de tempo determinados, promovendo a contemplação, e a reflexão.
-Tratar as árvores e se possível instalar árvores de fruto. Desenvolver a cultura de cogumelos (uma vez que foram encontradas duas espécies no local), uma horta e aproveitar a cortiça de alguma árvores do local. A ideia seria não só rentabilizar mas também sensibilizar para o cuidado destas espécies naturais, promovendo uma outra forma de convívio e de relação com o espaço.
-Desenvolver um lago artificial com patos.
Para um melhor aproveitamento e comunhão do espaço pelas duas escolas que o circundam, seria importante também proibir o estacionamento dento do recinto, e estabelecer iluminação nocturna no jardim.
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Existe um documento com esta proposta e uma galeria de fotos do espaço na pasta UNIDADE 5 do exercício INESC Porto, no servidor de MDI.

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