segunda-feira, 24 de maio de 2010

FERRAMENTAS DE APRENDIZAGEM ON LINE

A PRODUÇÃO CULTURAL NO CONTEXTO DOS NOVOS MEDIA SOCIAIS

E A SUA RELAÇÃO COM QUESTÕES DE AUTORIA E DOMÍNIO PÚBLICO

FERRAMENTAS DE APRENDIZAGEM ON LINE

“There is a growing desire for intellectually stimulating material

that is easily accessible.”[1]

A Internet, enquanto manifestação de uma cultura digital em constante desenvolvimento, tem sido progressivamente um meio difusor de informação, respondendo não só às necessidades naturais do ser humano de comunicar, mas também de obter conhecimento e expressão cultural, produzindo e reagindo.

As tecnologias de informação estão cada vez mais acessíveis, em alternativa aos livros, que podem estar a viver neste momento uma ameaça de extinção, existe um disponibilizar cada vez maior e variado de conteúdos informativos e de entretenimento através de ferramentas físicas de leitura digital, como o Kindle[2] da Amazon, ou o novo iPad, da Apple.

A abrangência cada vez maior e facilitada da Internet abriu cada vez mais possibilidades individuais de cada um nós contribuir com um papel activo naquilo que outrora seria apenas objecto de consumo. O acesso à cultura nas suas diversas configurações é cada vez mais um dar e receber, reciclar e voltar a dar.

A liberalização da informação vive não só do facultar de conteúdos, mas cada vez mais da colaboração de todos para a produção dos mesmos. Somos pró-activos, contribuidores, e ocupamos agora uma posição comum, de aprendizes, consumidores, emissor e receptor, professor e aluno.

Esta capacidade de ser ao mesmo tempo audiência e produtor de conteúdos informativos e de entretenimento, e de assim podermos ceder e simultaneamente consumir conhecimento tem vindo a ser adaptada e aplicada a plataformas de conteúdos académicos, escolares e informativos.

A procura é grande e a oferta cada vez maior. Há uma rápida resposta às necessidades, e aos serviços que procuramos, as ferramentas adaptam-se a nós e nós adaptamo-nos às ferramentas, mudamos e somos mudados.

São vídeos, ficheiros de som, artigos, ensaios académicos, plataformas educacionais ligadas às universidades e aos museus, motores de pesquisa exclusivamente dedicados a conteúdo académico, conferências online e tutoriais de todo o género.

“The web is now causing educators, from preschool to graduate school, to rethink the very nature of teaching, learning and schooling.”[3]

A democratização do ensino superior começou a desenvolver-se nos anos 90 quando as universidades começaram a ver na Web uma oportunidade de expandir fontes de conhecimento. Em 1999 a Universidade de Tübingen, Alemanha, tornou-se na primeira instituição de ensino superior a disponibilizar online artigos e textos relacionados com matérias e aulas leccionadas. Em 2002 o Massachusetts Institute of Technology (MIT) lançou a sua página Open Course Ware (OCW)[4].

A OCW disponibiliza gratuitamente conteúdos relacionados com os cursos e matérias de estudo do MIT. A página do MIT recebe mais de 1.2 milhões de visitantes por ano. Estima-se que quase 45% dos visitantes da página sejam estudantes autodidactas, que procuram aceder a conteúdos científicos e de aprendizagem.[5]

A Wikipédia, criada em 2001, é uma das mais importantes plataformas de alojamento de informação e conhecimento. Disponibiliza mais de três milhões de artigos escritos, editados e reeditados por utilizadores e editores registados, em mais de 260 línguas. As contribuições são gratuitas e obedecem ao rigor e bom senso dos contribuidores, existindo um corpo de supervisores que vão confirmando a veracidade e rigor científico das contribuições. A enciclopédia online, desenvolvida e actualizada por cada um de nós, promove a livre utilização e reedição dos seus conteúdos, desde que estes sejam novamente postos à disposição de todos e licenciados da mesma maneira: livre cópia, reutilização distribuição.

Distribui informação sobre os mais variados temas, e desenvolve projectos irmãos, através da Wikimedia Foudation, com vista a facultar outros tipos de informação catalogada. O Wikiquote, que fornece citações e axiomas, ou o Wikiversity, uma plataforma em desenvolvimento constante de ferramentas de aprendizagem nos vários níveis e disciplinas de ensino, são exemplos disso.

A Academic Earth[6], uma organização americana sem fins lucrativos que visa proporcionar a todos os utilizadores da web conhecimento académico gratuito, fornece gratuitamente na sua página conteúdos académicos e aulas integrais de diversas universidades em forma de vídeo ou texto. Os utilizadores são convidados a disporem dos conteúdos e a colaborarem comentando, sugerindo e propondo novos modos de tornar o ensino mais abrangente e acessível. Os conteúdos podem ser descarregados, mas o seu uso está protegido como propriedade da Academic Earth.

O ciclo de conferências TED, (Technology, Entertainment, Design), propriedade, desde 2001, da The Sampling Foundation, fundação sem fins lucrativos criada em 1996 com o objectivo de espalhar ideias e divulgá-las para que sejam inspiradoras, nasceu em 1984, pela mão de Richard Saul Wurman.

Entre 2001 e 2006 o ciclo foi disponibilizando as suas conferências e open talks em vídeo e audio podcasts, fomentando a partilha de ideias online, e criando a mais popular plataforma de divulgação de conhecimento, ideias e conteúdos de alguns dos grandes pensadores, lideres e professores do mundo.

Estas duas plataformas têm várias coisas em comum, como a possibilidade de download dos conteúdos.

As duas promovem a colaboração na discussão de ideias e comentários nos ficheiros disponibilizados, embora o TED fomente uma divulgação dos seus conteúdos mais entusiasmada.

“You are encouraged to view as many talks as you wish for free, and to share what you learn with others both online and offline.”[7]

Em ambas as páginas são recomendados cuidados no tratamento e divulgação de conteúdos, mas no caso do Academic Earth estes conteúdos podem ser dispensados por quem esteja interessado em divulgar, tendo em conta condições de copyright impostas pela plataforma.

“If you are a professor, educator, or representative from an academic institution and would like to use our platform to distribute content to learners worldwide, we would be excited to hear from you[8].”

Também no domínio dos conteúdos educacionais em vídeo acabou por entrar, 2009, o Youtube. Adquirido pelo Google em 2006, um ano após o seu lançamento online, é hoje uma ferramenta indispensável na pesquisa, visualização e divulgação de todo o tipo de conteúdos em vídeos colocados no site pelos próprios utilizadores.

“Short-form, streaming video is growing rapidly on a variety of digital platforms and being interwoven into the fabric of daily life, politics, and commerce (…) Online video is a lively site of emergent

popular culture”[9]

A partir do mesmo princípio de que o vídeo se torna cada vez mais um veículo eficaz de difusão online, e uma vez que o Youtube é a plataforma procurada em primeiro lugar para visualizações e produção de conteúdos em vídeo, a aposta na disponibilização de conteúdo académico chegou em Março de 2009.

O YoutubeEdu disponibiliza conteúdos de mais de 100 universidades, de professores e pensadores de todo o mundo. Sendo uma plataforma ainda em desenvolvimento, muitos utilizadores preferem o Academic Earth por que o Youtube não permite (legalmente) o download. Os conteúdos têm de ser vistos com uma conexão de internet activa. Os perfis que adicionam os vídeos são propriedade das próprias faculdades que os adicionam, e logo também neste ponto o Academic Earth acaba por ser mais organizado, uma vez que tem um corpo activo de responsáveis pela organização dos conteúdos.

Os utilizadores das duas plataformas, que comentaram algumas das diferenças entre as duas, reclamam no entanto que o YoutubeEdu, à semelhança da plataforma mãe, fomenta mais a ideia de comunidade e interacção entre os utilizadores

e os conteúdos[10].

Em termos de copyright a lei é idêntica à do Youtube, usos controlados e difusões com o leitor original, sem fins lucrativos.

O iTunes da Apple, desenvolveu também uma plataforma que dispensa conteúdos académicos em formato áudio e vídeo. O download é gratuito, e os conteúdos são cedidos por protocolos entre instituições de ensino, museus e serviços de televisão sem fins lucrativos (estações PBS- Public Broadcasting Service).

Existem ainda modalidades de acesso a conteúdos educacionais através de pagamento online. O The Teaching Company publicita e vende on line aulas, cursos e conferências em dvd’s, cd’s e outros formatos.

A OER (Open Educational Commons) lançada em Fevereiro de 2007 funciona como uma rede que organiza todas estas fontes de cedência de material académico. Agrupa materiais e organiza as fontes com licenças Creative Commons e GNU.

O que este tipo de ferramentas trás de novo além de uma abrangência global que a Internet ajuda a fomentar, é a possibilidade de se ter acesso a conteúdos educacionais sem sermos alunos de nenhuma instituição.

As plataformas deste género estão de certo modo a criar uma nova forma de entretenimento de massas, baseado no adquirir de conhecimento.

“Imagine what a treasure trove this for a college teacher in Africa or a student in a developing country in Asia who can Access good materials from prestigious universities at their fingertips.[11]

Podemos considerar que vivemos um momento de transformação e evolução das ideias primárias de educação e acesso a informação. Parte dos desafios da educação prendem-se com o facultar de informação de formas cada vez mais abrangentes.

Como Gutenberg revolucionou a pouco e pouco o acesso das massas à leitura, este tipo de plataforma e de comunidades online cada vez mais emergente estão a fomentar o acesso mais simples ao conhecimento.

Acontece que este tipo de novas tecnologias e maneiras de tratar e expandir a informação levantam questões relacionadas com direitos autorais e de divulgação e utilização livre dos conteúdos. Nem todas as plataformas promovem o uso livre dos conteúdos que disponibilizam.

“The Internet makes possible the efficient spread of content (…)

This efficiency does not respect the traditional lines of copyright.”[12]

Basicamente o que não é permitido baseia-se na utilização dos conteúdos para fins lucrativos. O que cada um faz com os conteúdos que descarrega no campo do conhecimento resume-se a assimilação de ideias e a uma possível reciclagem da informação. As licenças Creative Commons pressupõem isso mesmo.

É óbvio que quando aprendemos alguma coisa a vamos mais tarde ou mais cedo usá-la noutro contexto, reformulando-a e adaptando-a. É um processo de reciclagem, que fomenta a utilização do conhecimento para produção de mais conhecimento, licenciado do mesmo modo. Neste momento o que entra em confronto com esta ideia de divulgação e uso livre é o conceito

de propriedade intelectual.

Em termos de fornecimento de conhecimento científico o que está em jogo é o trabalho que cada um teve para alcançar as conclusões que apresenta.

Ninguém faz uma investigação sem a ajuda de outros, e as fontes secundárias parte importante de um processo de investigação. Isso significa que, à parte de invenções únicas que resultam do pensamento e da investigação de alguém serem na maior parte das vezes catalogadas como propriedade intelectual ou industrial de alguém, estas resultaram a combinação de vários elementos que chegaram aos criadores porque uma legião de outros os divulgaram.

“Creative work has value; whenever I use, or take, or build upon the creative work of others, I am taking from them something of value. Whenever I take something of value from someone else, I should have their permission. The taking of something of value from someone else without permission is wrong. It is a form of piracy.”[13]

Existem no entanto diferenças no uso que damos às informações de carácter académico. O que aprendemos pode ser usado das mais diversas formas, e desde que não se faça uma divulgação dos conteúdos exactamente como nos chegaram à mãos, penso que não existem razões para que em todas as plataformas seja possível fazer o download dos conteúdos. Recorde-se que o YoutubeEdu não oferece esta possibilidade (embora existam programas que o fazem, sem a autorização

da plataforma).

Penso que embora seja necessário identificar o autor e a universidade ou instituição que divulgam os objectos académicos, se deve fomentar o seu uso livre, desde que esse uso se cinja a uma reciclagem desses conteúdos.

O que está em causa é que este tipo de plataformas apenas existe porque vive de uma cultura convergente. São plataformas participativas, e do mesmo modo que necessitam da colaboração de instituições, professores, pensadores e dos próprios utilizadores, que formam as comunidades que alimentam cada uma destas fontes de informação. Se vive de todos nós, não faz sentido que apenas alguns consigam obtê-las. Neste sentido o que está a acontecer é que se caminha não só para uma sociedade de convergência, colaboração e acesso livre, mas para um território de conhecimento e acesso a informação sem elitismos, selecções e condições sociais.

Claro que não falamos de um acesso a informação apenas por divertimento, mas de uma possibilidade em ascensão de todos podermos fazer parte de uma grande comunidade que produz conhecimento, usa-o e volta a produzi-lo, livremente.

A página do MIT recebe mais de 1.2 milhões de visitantes por mês, os conteúdos da universidade de Oxford no iTunes ultrapassou um milhão de uploads e sempre 10 podcasts no top 100, e a aula de história da filosofia de Marianne Talbot também de Oxford tornou-se rapidamente num hit do iTunesU.

Estamos a perder o medo de partilhar conhecimento, e a torná-lo cada vez mais acessível às massas.


Bibliografia

Lessig, Lawrance, Free Culture: how big media uses technology and the law to lock down culture, Penguin Press, New York, 2004

Saviro, Steven, Connected, or what it means to love in a network society, Minnesota University Press, 2003

Gere, Charlie, Digital Culture, Reaktion Books, London, 2002

Recut, Reframe, Recycle, Center for Social Media, School of Communication American University, Janeiro 2008

Lyons, Daniel, Jeff Bezos interview, Newsweek, 28 de Dezembro de 2009/ 4 de Janeiro de 2010.

Brownell, Gianne, iPod University, Newsweek, 9 de Dezembro de 2009

Webografia

Kindle, Amazon.com, [acesso em Janeiro 2010], disponível em www.amazon.com/kindle.

Ronald D. Owston, in The World Wide Web: A Technology to Enhance Teaching and Learning?, 1997, [acesso em Janeiro 2010], disponível em JSTOR : Educational Researcher, Vol.26, Nº 2, http://www.jstor.org/pss/1176036

Free Online Courses Material | MIT OpenCourseWare, [acesso em Janeiro 2010], disponível em http://ocw.mit.edu.

Academic Earth | Online Courses | Academic vídeo lectures [acesso em Janeiro 2010], disponível em www.academicearth.org

Partners | Academic Earth, [acesso em Janeiro 2010], disponível em

www academicearth.org/about/partners.

TED | Terms of Use, ponto 2, [acesso em Janeiro 2010], disponível em www.ted.com/termsofuse

Open Culture [acesso em Janeiro 2010], disponível em www.openculture.com

YoutubeEDU [acesso em Janeiro 2010], disponível em www.youtube.com/edu

Introducing YoutubeEDU!, Open Culture, [acesso em Janeiro 2010], disponível em www.openculture.com/2009/03/introducing_youtube_edu.html

Gates, Bill, What I’m Learning, Great Lectures from The Teaching Company, [acesso em Janeiro 2010], disponível em http://www.thegatesnotes.com/Learning/article.aspx?ID=24

The Teaching Company [acesso em Janeiro 2010], disponível em

http://www.teach12.com

OER Commons, [acesso em Janeiro 2010], disponível em http://www.oercommons.com

ISKE, Institute for the study of knowledge Management and Education [acesso em Janeiro 2010], disponível em http://www.iskme.org/

Demos, [acesso em Janeiro 2010], disponível em http://www.demos.co.uk/

Apple- Education, iTunesU, [acesso em Janeiro 2010], disponível em

http://www.apple.com/education/mobile-learning/


[1] Peter Bradweel, in iPod University, Newsweek, 9 de Novembro 2009

[2] Kindle, Amazon.com, [acesso em Janeiro, 2010], disponível em www.amazon.com/kindle. Kindle é um software e hardware desenvolvido pela Amazon.com que interpreta, lê e mostra conteúdos literários,

e-books e áudio-books.

[3] Ronald D. Owston, in The World Wide Web: A Technology to Enhance Teaching and Learning?, 1997

[4] Free Online Courses Material | MIT OpenCourseWare, [acesso em Janeiro, 2010], disponível em http://ocw.mit.edu.

[5] In iPod University, Ginanne Brownell, Newsweek, 9 de Novembro de 2009.

[6] Academic Earth | Online Courses | Academic vídeo lectures [acesso em Janeiro, 2010], disponível em www.academicearth.org

[7] TED | Terms of Use, ponto 2, [acesso em Janeiro de 2010], disponível em www.ted.com/termsofuse

[8] Partners | Academic Earth, [acesso em Janeiro de 2010],disponível em

www academicearth.org/about/partners.

[9] In Recut, Reframe, Recycle, Center for Social Media, School of Communication American University, Janeiro 2008

[10] Comentários ao post Introducing YoutubeEDU!, Open Culture, [acesso em Janeiro de 2009], disponível em www. www.openculture.com/2009/03/introducing_youtube_edu.html

[11] Francesc Pedro in iPod University, Gianne Brownwell, Newsweek, 9 de Novembro de 2009

[12] In Free Culture: how big media uses technology and the law to lock down culture”, Lawrance Lessig,

Penguin Press, 2004

[13] In Free Culture: how big media uses technology and the law to lock down culture”, Lawrance Lessig,

Penguin Press, 2004


sábado, 30 de janeiro de 2010

STOP

Repensar e Reestruturar
(por Mafalda Nobre e Joana Sobral)

Voltando à ideia de que "O Stop é fechado sobre si mesmo", e reflectida esta questão no contexto actual, depois dos últimos acontecimentos e divergências no "bairro" e com a câmara, pensamos que o Stop acaba por ser fechado sobre si mesmo ou visto como tal, precisamente em termos de comunidade.

O que acontece, parece-nos, é que não é visto do lado de fora como algo "normal", ou parte do quotidiano de uma cidade, como órgão importante que produz música, cultura. A visão que muitas pessoas acabam por ter do espaço e do que se faz lá dentro é a de alguma coisa clandestina e fora do normal que se passa num espaço por si só já residente na fronteira entre o passado e o futuro.

Esta interpretação é sintomática de uma visão algo discriminatória, mas pode dever-se um pouco à ideia que habitualmente temos de espaços como o Stop, um centro comercial meio ocupado, meio desocupado. Alguns espaços do género, como o Centro Comercial de Cedofeita, ou o Centro Comercial do Campo Alegre sofrem do mesmo mal, por estarem algo cheios e algo vazios, e por se situarem em zonas da cidade muito específicas, vistas de maneira diferente pelos seus residentes e pelos seus visitantes.

Tendo ainda em conta os últimos acontecimentos, muitos pensam que se produz “ruído” no Stop. Pensamos que, de certo modo, a difusão de música identificada como produzida no Stop ajudaria a desmistificar estas interpretações. Apesar de muitas das bandas não se identificarem com a ideia de “Comunidade”, e por isso não se integrarem nas acções promovidas, seria importante insistir na sua integração. Acreditamos que, de certa maneira, a etiquetagem da música como produzida dentro do Stop (e o Stop identificado como uma comunidade de músicos) ajudaria a desmistificar e clarificar muita coisa.

O facto, no entanto, desta difusão viver da Internet ajuda a manter a intenção de não mostrar tudo o que está por dentro da montra, e a manter a analogia entre o espaço e o que lá se faz. É importante por um lado mostrar o Stop e, por outro, não o mostrar demasiado. Este é o tipo de lugar que não se parece prestar a uma divulgação tradicional. Assim, utilizar a Internet como plataforma privilegiada de divulgação faz todo o sentido. A Internet é o espaço democrático e livre por excelência.

“For McNair the fact that anyone, or at least anyone with access to the right technologies, can blog means the end of what he describes as the ‘control paradigm’, in which the media help sustain the social order through the dissemination of dominant ideas and values and at the same time serve the interest of those in control.”[1]

Se a realidade Stop é tão radicalmente diferente das realidades que habitualmente associamos à indústria da música (o Stop é facilmente tido como um espaço underground), então o lugar da sua existência real enquanto comunidade – mais até do que o espaço físico – poderá ser a metáfora de uma sociedade anárquica e utópica que é a Web, e particularmente a Web 2.0.

Para além disto, sabemos que o binómio música / Internet é um tanto delicado. Falamos não tanto de questões como o sampling mas essencialmente da tecnologia peer-to-peer. Se é impossível evitar a circulação gratuita de música pela Internet, não seria desejável incorporar já nesta filosofia “Stop na Net” a aceitação e convivência com esta realidade? Se já não se vendem discos e as receitas dos músicos começam a ser geradas mais através dos concertos, porque não permitir aos utilizadores do PostStop não apenas ouvir música on-line como também fazer download?

“Let’s build a world that we’re actually going to be proud of. Not just a profitable world for a few very large media companies.”[2]

Propõe-se concretamente uma rádio do Stop on line, um pouco à semelhança da Last-fm, com uma listagem das músicas, organizadas segundo tags e com a possibilidade de as bandas, uma vez “loggadas” no site, fazerem upload de músicas directamente para a rádio. Propõe-se igualmente a possibilidade de o utilizador seleccionar a música que está a ouvir e aceder aí a informação extra bem como ao link para fazer o download.

Misturar as músicas, não as fazer corresponder a álbuns ou a salas responderia não apenas à necessidade de dar a conhecer a música e as bandas como parte do Stop como também à necessidade de manter um certo anonimato do espaço.

A própria imagem da Last-fm (e de outras redes sociais) poderia ser apropriada e transportada para o PostStop, quase como um meio de legitimação forçada ou de falsa institucionalização do Stop.

Uma vantagem clara em relação à difusão na Internet versus difusão na rádio tem a ver com a disponibilidade diária de emissões: os ouvintes não ficam de maneira nenhuma dependentes de um horário de programação.

Por outro lado, sabemos que a Internet é um poderoso meio de difusão além fronteiras. O que está na Internet está acessível a todos, se a difusão for feita apostando nisso. A audiência de uma plataforma on line é muito superior, neste momento ao de uma audiência de rádio. As rádios já não são escutadas como antigamente, são mais escutadas nos auto-rádios ou através da Internet.

Será proveitoso para os músicos do Stop essa grande difusão? Depende dos objectivos de cada banda. É possível dispensar informação e conteúdos na Internet camuflados e acessíveis apenas a grupos restritos de pessoas, existe essa escolha. O que seria neste caso importante apurar é a necessidade de difusão musical por parte das bandas. Se já dispensam a sua música em sites como o Myspace Music provavelmente não se importariam de ceder essa música a PostStop. Mas a questão não se centra apenas na possibilidade de difundir ou não difundir na Internet.

Todas estas questões de comunidade Stop podem também ser vistas de outra forma, porque se podem criar, como já se sugeriu acima, duas comunidades: uma física, dos que habitam o espaço e apostam na união para a resolução de problemas e se identificam como membros do grande grupo de músicos que lá vivem; e uma outra comunidade, esta virtual. Este tipo de comunidade on line já existe em muitos formatos um pouco por todo o mundo, e são comuns blogs pessoais de interessados em estilos musicais que publicam música, comentam e a divulgam ao mundo através de ficheiros mp3 alojados em posts.

A comunidade virtual que pensamos que nasceria do facto de se dispensar música on line através do Post Stop seria assim formada pelas bandas que dispensariam a sua música na Internet, mas fundamentalmente pelo público/auditório que iria frequentar o PostStop para ouvir a música que ele teria para oferecer. Porque as comunidades são feitas de diálogo e interacção, e porque a comunidade Stop gira à volta de música e músicos, o espaço na web seria mais um veículo de fortalecimento.

A comunidade Stop cresceria numa dimensão global, seria músicos, música, auditório, comentadores, fãs, colaboradores do PostStop, etc.

A grande questão tem a ver precisamente com a etiquetagem made in stop.

Neste momento e dada a confusão gerada entre habitantes Stop, bairro e câmara Municipal, acreditamos que as bandas têm todas as vantagens em afirmarem-se como parte do Stop. Resta-lhes avaliar individualmente as vantagens (e eventuais desvantagens) de uma difusão musical etiquetada made in stop, que tem de ser pensada caso a caso, medindo prós e contras.

Em termos gerais pensamos que esta etiquetagem e difusão fariam com que se percebesse que o interesse maior daquele espaço (físico e virtual), é música, só música.



[1] GERE, Charlie, Digital Culture. 2ª edição, Reaktion Books, London, 2008. p. 211.

[2] KAHLE, Brewster. In Steal This Film II, 2007., [acesso em 2010, Janeiro 29], disponível em http://www.stealthisfilm.com/Part2/download.php.



Bibliografia

GERE, Charlie, Digital Culture. 2ª edição, Reaktion Books, London, 2008.

SHAVIRO, Steven, Connected, or it means to live in a network society, Minnesota University Press, 2003

LESSIG, Lawrance, Free culture- how big media uses technology and the law to lock down culture, Penguin Press, New York, 2004

First Monday, Peer Reviewed Journal on the Internet, Bayn, Nancy K., The new shape of online community. The example of Swedish independent music fandom., [acesso em 2010, Janeiro 26], disponível em www.firstmonday.com.

Steal This Film II, 2007., [acesso em 2010, Janeiro 29], disponível em http://www.stealthisfilm.com/Part2/download.php.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Nomadic #1

Passos-tipo na programação de um hipotético Software


* Problema

* Esquisso + Modelos (algum método conhecido para ataque?)

* Algoritmo
http://en.wikipedia.org/wiki/Algorithm
(há problemas que não podem ser resolvidos
por nenhum algoritmo; esperando que o que se tem de resolver
o possa, segue-se o seguinte)

* Linguagem (escolha?)
diferentes paradigmas e diferentes linguagens
http://en.wikipedia.org/wiki/Programming_paradigm

* Programação (escrever tudo ou recorrer a algumas "bibliotecas")
http://en.wikipedia.org/wiki/Computer_programming

tradução do algoritmo na linguagem,
por vezes requer detalhe de alguns passos que podiam estar
vagos)

* Compilação (dependendo do tipo de linguagem...)
Passagem do programa escrito por um outro programa
(ou sequência de programas) que o analisa, detecta
possíveis erros sintáticos (instruções que não
estão de acordo com a gramática da linguagem) e
alguns semânticos,
e, se tudo correr bem, o traduz numa linguagem
que pode ser executada pelo processador (ou
por uma máquina virtual, dependendo da linguagem
de partida) eventualmente
com alguma optimização do código

http://en.wikipedia.org/wiki/Compiler

(Nesta fase, quem escreveu o programa pode ter necessidade
de corrigir os erros
reportados e voltar a tentar compilar....)

* Execução
http://en.wikipedia.org/wiki/Execution_(computing)
Pode ou não requer introdução de dados
Pode levar a detectar outros erros
-- resultados inesperados, resultantes dalgum
erro lógico na implementação ou no algoritmo...)
-- não produção de qualquer resultado

* Pode ser necessário "apurar" o programa
-- melhorar aqui ou ali
-- melhorar partes significativas para tentar assegurar
escalabilidade (quando aumenta dimensão dos dados
o programa pode não conseguir determinar resposta
em tempo útil)
-- tempo (e espaço) gasto: complexidade do
método (ou do problema que se quer resolver)
http://en.wikipedia.org/wiki/Computational_complexity_theory
Realizar uma série de testes para tentar detectar erros
(em programas suficientemente pequenos, pode-se
tentar demonstrar formalmente a correcção do programa
mas, em geral, não é possível).


Dependendo do tipo de problema/projecto, o desenvolvimento do programa pode
envolver várias componentes (bem como integrar várias ferramentas e tecnologias).
http://en.wikipedia.org/wiki/Software_architecture
http://en.wikipedia.org/wiki/Software_development_process

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Exercício de 21 Jan no INESC Porto


ESPAÇOS QUE DESPERTARAM INTERESSE

. Sala na cave do edifício repleta de monos cadeiras estragadas e/ou abandonadas, caixas vazias, objectos fora de uso e uma secretária aparentemente sem destino.

. Quartos de banho, por serem espaços opostos directamente aos espaços de trabalho e circulação.

. Sala de robótica, pelo caos que se vê e sente lá dentro.

. Espaço envolvente ao edifício e outros edifícios. Pensámos num aproveitamento dos terraços de cada edifício do Campus da FEUP.

. “Bosque” entre o INESC Porto e a Escola Superior de Educação (pensamos ser essa escola, mas temos quase a certeza que esse espaço lhes pertence).
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ESPAÇO QUE ESCOLHEMOS E INTERVENÇÕES POSSÍVEIS
BOSQUE

Necessidades imediatas

Escolhemos este bosque por significar um espaço alternativo e muito diferente do espaço físico de trabalho do INESC Porto. A ideia seria pedir emprestado esse espaço a quem o regula, e fazer dele uma alternativa à rotina, ao espaço fechado e à tecnologia informática que domina o edifício de trabalho.
A par de conversas que vimos acontecer no bar, também se registam várias idas à porta do prédio para fumar.
Pretendemos dar nova vida ao espaço e promover encontros entre os trabalhadores do INESC Porto que não se resumam a conversas sobre trabalho no bar do edifício, e que façam com que as pessoas saiam mais do prédio para espairecer, ver a natureza e conviver de forma diferentes das actuais.
A revitalização do espaço é evidentemente necessária.
Não sabemos se o espaço pertence mesmo à FEUP, mas pode observar-se um caminho pintado de amarelo que vai desde a frente do campus da Faculdade de Engenharia, atravessa o bosque, passado pelas várias zonas que o constituem, e passa pela lateral do edifício do INESC Porto, seguindo pelas traseiras deste. Não conseguimos determinar a utilidade deste caminho amarelo a fazer lembrar o Feiticeiro de Oz, mas pensamos que se pode relacionar com algum circuito de manutenção física, que entretanto também sonhámos para o espaço.
Para o aproveitamento do espaço da melhor maneira, são necessárias intervenções não só na mobilização das pessoas, mas no espaço em si, melhorando e aproveitando as suas capacidades evidentes de utilização como um espaço alternativo à rotina.

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Concretizações possíveis

-Revitalizar a relva e cuidá-la mais frequentemente;
-Promover e iniciar a cultura de flores, que em muitos casos servem de inspiração para os criativos que são os cientistas do espaço.
-Repor mesas de piquenique em pedra, que existem mas precisam de ser renovadas. Estas podem ser usadas com espaço de almoço alternativo, descanso e descontracção
-Rentabilizar os campos de jogos e promover actividades que envolvam os diversos departamentos.
-Existe um teatro de arena em cimento que pode ser rentabilizado e usado para demonstrações (da robótica, por exemplo).
-Desenvolver e colocar um quiosque que comercialize revistas e edições relacionadas com a área científica, que possa facultar um acesso simples a estas edições, sem uma deslocação fora do campus.
-Aproveitar os campos de jogos para desenvolver actividades desportivas e de competição entre equipas dos diversos departamentos do INESC Porto, promovendo um convívio alternativo entre os trabalhadores.
-Desenvolver obras de arte/esculturas no espaço por intervalos de tempo determinados, promovendo a contemplação, e a reflexão.
-Tratar as árvores e se possível instalar árvores de fruto. Desenvolver a cultura de cogumelos (uma vez que foram encontradas duas espécies no local), uma horta e aproveitar a cortiça de alguma árvores do local. A ideia seria não só rentabilizar mas também sensibilizar para o cuidado destas espécies naturais, promovendo uma outra forma de convívio e de relação com o espaço.
-Desenvolver um lago artificial com patos.

Para um melhor aproveitamento e comunhão do espaço pelas duas escolas que o circundam, seria importante também proibir o estacionamento dento do recinto, e estabelecer iluminação nocturna no jardim.

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Existe um documento com esta proposta e uma galeria de fotos do espaço na pasta UNIDADE 5 do exercício INESC Porto, no servidor de MDI.

INESC Porto HighTech